segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O Gigante Renasceu

Dia 19 de julho de 1992. Lembro bem desse dia. Estava então no auge dos meus 13 anos, cursando a 8ª Série, um ano muito bom em vários aspectos. Estava sentado no sofá da sala com minha camisa de goleiro do flamengo meio alaranjada que acho que não era oficial. O short do Flamengo completava o modelito. Na cadeira ao lado meu pai comentava sobre o jogo, logo ele tão torcedor do time, via seu pequeno filho ali herdando toda a paixão. O título de 1992 me lembro quase que todo, pois em 1987 só os detalhes mais importantes estão na memória.
O jogo foi passando tranquilo e afinal o Mengão já estava com o título na mão, culpa da esmagadora vitória de 3 a 0 sobre o Botafogo, uma semana antes. No final corre-se para a rua para chutar a bola com os amigos e gritar o nome dos heróis daquele título (Gilmar, Júnior, Zinho, Nélio, Gaúcho). De 1992 até 2009 muita coisa mudou na vida do maior time do Brasil, pois deixamos de ser esse time. Não pela torcida, essa sempre incomparável, inigualável, mas por culpa de direções atrapalhadas que mancharam o manto sagrado sem pena nesses anos.
Durante esses 17 anos, vivemos de espasmos de alegria. Uma Copa dos Campeões aqui, uma Copa do Brasil acolá e dois tri campeonatos cariocas, sendo um de maneira épica. Espasmos com Sávio, Petkovic, Romário. Muito pouco para quem em outrora era bem mais assustador. Pior ainda, passamos por vários vexames, apanhando de times pequenos e quase sendo rebaixados para a segunda divisão, uma desonra que não nos cabe, sendo salvos somente pela força da nossa camisa. O interessante é que por mais sofrimento que houvesse, a torcida crescia e ficava mais apaixonada.
Nos últimos três anos no entanto, esse gigante em preto e vermelho vem acordando. Vem renascendo. Mesmo contra as trapalhadas dos que ainda comandam nossa história, o gigante vem renascendo como uma fênix, fazendo milhares de pessoas engolirem a seco esse processo. Desde 2007 quando fomos 3º lugar do Brasileiro com uma campanha para ficar na história, as coisas vem mudando. O respeito que havia ido embora, voltou. A camisa está pesando mais. O orgulho que nunca havia ido embora, prova agora o quanto sempre esteve certo.
Neste último domingo, 06 de dezembro de 2009, esse processo de renascimento foi concluído com mais um titulo brasileiro. Mais uma vez, de modo inesquecível. Um título sem contestação, com uma campanha forte contra todos os concorrentes ao campeonato. Não vi os últmos 30 minutos do jogo de domingo. O coração não é mais o mesmo daquele menino de 1992. Fiquei a vários metros da TV. Vi o jogo ao lado de amigos queridos, sem mais meu pai para comentar do meu lado, mas sem dúvida fazendo isso onde está lá em cima, não tenho dúvida alguma.
Com um gol de um cara simples e honesto, como a grande maioria da nossa torcida, o Mengão ganhou mais um título e voltou para o patamar de onde nunca deveria ter saído. A festa tomou conta de centenas de cidades ao redor do país, pois não canso dizer, falar que o Flamengo é carioca é burrice. O Flamengo é nacional. Hoje, na segunda feira enquanto me recupero emocionalmente e vejo as imagens da torcida no Maracanã, lembro da frase que aprendi ainda criança e servia para quando o Flamengo ia para uma decisão: “Deixou chegar, fudeu!” e refaço por minha conta para “Deixou renascer, fudeu!”. Fudeu mesmo.
Que a partir de hoje, novamente todos os outros times do país botem suas barbas de molho, rezem, comecem a ter medo. O gigante em preto e vermelho está de novo no topo. E como todos bem sabem, com a gente o negócio é diferente. Ser Flamengo é diferente. Quem não é, nunca vai passar nem perto de entender. Nem tentem. Salve Andrade. Salve Bruno, Léo Moura, Ronaldo Angelim e Juan. Salve Williams. Salve Petkovic e Adriano. Salve eu. Salve você. Salve todo aquele que carrega a alegria imensa e a dádiva de ser rubro negro dentro do coração.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

"What A Wonderful World" - Joey Ramone

"I see trees of green, red roses too
I see them bloom for me and you
And I think to myself, what a wonderful world

I see skies so blue and clouds of white
The bright blessed day, the dark sacred night
And I think to myself, what a wonderful world

The colors of the rainbow, so pretty in the sky
Are also on the faces of people going by
I see friends shaking hands, saying, "how do you do?"
They're really saying, "I love you"

I hear babies cry, I watch them grow
They'll learn much more, than I'll never know
And I think to myself, what a wonderful world

Yes, I think to myself, what a wonderful world..."
P.S: Porque a vida na maioria das vezes é boa e precisa ser agradecida. Pode ser banal, mas é isso mesmo. "What a Wonderful World" consagrada por Louis Armstrong em uma versão matadora de Joey Ramone, um dos ídolos aqui da casa. Baixe
aqui.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

"Orkut é o C......"

“De tempos em tempos acontecem milagres sem que a gente peça ou perceba. Esteja pronto para recebê-los”. Assim definia a sorte na manhã de segunda no orkut. “Tá foda né? Até a porra dos sites agora tão querendo dar uma de mãe Dinah”, foi o que pensou Arnaldo assim que ligou o computador com uma ressaca daquelas por causa de uma cerveja a mais na domingueira. “Eu ainda paro de beber, ô se paro”, prometeu sem muito vigor.
Antes de realmente começar a trabalhar, Arnaldo sempre visitava alguns sites de noticias, esportes e outros como myspace e orkut. Trabalhava em casa o que já facilitava bem sua vida nesse sentido. Na segunda que como bom devoto do Garfield odiava com todas as forças, as coisas geralmente eram um pouquinho pior. E o orkut também não ajudava muito nesse dia. Além da mensagem ridícula de auto ajuda, ainda tinha uma mensagem embaixo com “Maria adicionou uma nova foto para o álbum Diversão”.
Ele já tinha cogitado algumas vezes detonar a ex-namorada das suas casas virtuais, mas sempre rejeitava para que ela não pensasse que ele era um mal educado. Afinal terminaram “na boa”, pessoas adultas que sabem muito bem o querem. Na verdade, o que ele queria era não perder o contato e saber com quem ela andava pelo menos. É foda. “Mas, agora que se passaram seis meses, daqui a pouco me recupero”, pensava Arnaldo enquanto tomava o primeiro dos 5 Red Bull que seriam consumidos no dia.
Não tinha jeito. É claro que ele ia lá bisbilhotar o álbum com as fotos novas. Três fotos. Nas três, várias pessoas em algum bar da moda na noite de Belém. Nos comentários várias pessoas que ele nunca tinha visto, com recados como “Adoooorooooo!”. “Caceta! Onde diabos a Maria foi arrumar amigos que falam ou escrevem “Adoooorooooo!”. Não acredito nisso!”. Ao invadir os amigos dos comentários, mais sustos ainda. Comunidades como “Babados de Belém” e “Eu aaaamooo meus amigos!” dominavam.
“Ótima segunda-feira!” resmungou enquanto começava a abrir os arquivos do trabalho meio sem vontade. O dia correu mais ou menos em ordem. Algumas merdas para serem resolvidas. Um som mais alegre no player. Almoço de leve. Mais Red Bull. Alguns amigos sem ter o que fazer puxando papo sem o mínimo conteúdo no msn (“Será que as pessoas não sabem o que quer dizer o status ausente ou ocupado?, Arnaldo sempre reclamava”). Tudo normal. Quando por volta as 18:00hs chega uma mensagem no msn: “Preciso falar contigo. Me liga por favor. Preciso mesmo"
Era a Maria. Nesse momento as esperanças sempre voltam e acredita-se em tudo. “O orkut tava certo, milagres acontecem mesmo, por mais que a gente peça muito. Será que eu estou pronto?”, pensou. Deixou passar umas duas horas para não dar bandeira, pegou o telefone, foi para um lugar tranqüilo e discou o número que sabia de cor, recor e salteado:
- Alô.
- Alô.
- Maria?
- Ela.
- É Arnaldo, você queria falar comigo? Desculpa é que estava com uns amigos e só deu para ligar agora.
- Oi Arnaldo. Quanto tempo né? Eu queria falar contigo mesmo, mas não sei por onde começar.
- Ah, diga lá, o que seria?
- Não sei. Bom, mas vou dizer apesar de não saber o que tu vais pensar.
- Diga.
- Bom, ontem a noite eu estava na balada com uns amigos e a banda tocou “A Long December” do Counting Crows que a gente sempre escutava. Aí foi inevitável lembrar de você. E hoje eu pensei, pensei, pensei e resolvi ir atrás de ti para falar uma coisa.
- Pode falar. Desembucha menina.
- Tú poderias me devolver o cd que ficou contigo e tem essa música?
“Orkut é o caralho!”, pensava Arnaldo enquanto deletava seu contato na rede e procurava o disco do Counting Crows para deixar na portaria. “Orkut é o caralho!”, esbravejou até dormir.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

"Os Ombros Suportam o Mundo" - Carlos Drummond De Andrade

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

P.S: Drummond, sempre Drummond... Um pouco mais sobre ele? Passe aqui no Releituras.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

"Popstar" - João Penca e Seus Miquinhos Amestrados

Peguei uma onda "Manera"
Dei "Cutback, Hang Five Hang Ten"
Eu sou o melhor surfista da minha rua.

Não tenho saco prá escola
As minhas notas sempre são vermelhas
Mas eu não tô nem aí arrumo as malas
E me mando pro Hawaii.

A sua mãe não entende
O feeling da minha guitarra no dez
E vive vendo novela no onze.

Acho que ninguém me entende
Me dizem que eu sou "New Wave" demais
Eu vou na onda que mais alto me levar
Me levar...

Sua mãe diz que eu sou vagabundo
E o seu pai é tão esnobe:
"Esse garoto não combina contigo
A gente arruma prá você um bom partido".

Mas quando eu virar um astro
Com minha guitarra e minha prancha
Ao lado quero ver na hora do jantar
O seu pai sentado à mesa
Ao lado, de um "Pop Star".

E o neto dele também vai ser "New Wave'
Filho de "Pop Star" "Pop Star" é
E vamos todos morar no Hawaii
Tocar guitarra às três da manhã
E a vizinhança de cabelo em pé
E da maneira que a gente quiser.

P.S: Música do clássico João Penca e Seus Miquinhos Amestrados, que ganhou uma versão rockeira na mão do Evandro Mesquita, que você consegue
aqui. Ah...a juventude que passa e vai embora :))

domingo, 26 de julho de 2009

"Inocência" - Mundo Livre S/A

Azarar sem violência, mesmo que seja só por maldade
Paquerar com liberdade mas na maior inocência
Namorar sem malandragem, estraga o filme dá prejuízo
Copular sem sacanagem é um atalho pro paraíso
Na inocência
Sem sacanagem
Só por maldade
Mas pode ir dando adeus, a galinhagem, a malandragem e as cantadas baratas
Você não é mais dono do seu nariz
O aprendiz de Dom Juan foi aposentado

Frequentar a casa dela, sinal de alerta, perigo a vista
Conhecer toda a família, oléo na pista, olha o barranco
Expandir o patrimônio, não digo nada é um aviso
Contrair o matrimônio, é um atalho, não digo nada
Sem sacanagem
É um atalho
Pro manicômio

É hora de se despedir dos amigos, das baladas homéricas e das farras intermináveis
Você não é mais dono do seu tempo
Diga adeus ao mundo dos livres, seus dias de rei da noite definitivamente ficaram no passado
Mais o legal é quando mesmo depois de alguns anos de clausura, você acorda ao lado da sua amada e se descobre um felizardo
O legal man, é saber que todos os acidentes de percurso valem a pena quando lhe aproximam ainda mais da pessoa certa
O legal é ir dormir sabendo que ao acordar você poderá mais uma vez contar todas as pintinhas e sinais da pele da sua escolhida, só pra ter certeza
Só pra ter certeza que não esqueceu nada, que nada saiu da sua ordem, o universo e os elementos continuam conspirando a seu favor
E você continua reinando, reinando enquanto dorme!

P.S: Música do disco "O Outro Lado de Manuela Rosário" de 2000. Foda. Baixe
aqui.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Segundas Chances

A noite já caia há algumas horas, na verdade a madrugada já se aproximava e viam-se cada vez menos pessoas andando pela rua. O movimento rareava a partir do avançado da hora, pensei calmamente. Mas nem sempre foi assim, lembro de dias que ficarão para sempre guardados na memória em que bons amigos (nessa época, ainda eram bons) saiam pela cidade de cinema em cinema, de bar em bar, de praça em praça. Hoje o medo já não permite tal ousadia.
Peguei o ônibus depois de estar no ponto há quase uma hora. Nos últimos dias tinha uma súbita sensação de descontentamento tomando meu corpo, tudo parecia como um filme sem graça que pegamos em um canal de tv aberta zapeando sem sono pela madrugada. Com o celular devidamente escondido, liguei o mp3 player já que a viagem seria longa. A primeira música que tocou foi “Ain't No Cure For Love” do Leonard Cohen. Destino? Acho que não. Mas esse cara sabe das coisas.
Enquanto o ônibus entrava entre ruas mal iluminadas e passava por casais se agarrando na frente do cemitério e pequenas novas sensações da noite, com carros e seus sons ligados em alto volume tocando alguma canção sem muita qualidade, minha cabeça voava pelos acontecimentos dos últimos meses, de como minha inesgotável capacidade de ser covarde tinha acabado com uma das poucas coisas que ainda me fazia bem na vida. Susana desapareça fazia meses e meu orgulho impedia de procurá-la.
Na verdade, acho que foi isso que acabei me tornando no decorrer da minha caminhada: um medroso profissional. Tá certo que alguns medos eu entendia como normais, até porque a cidade nunca esteve tão perigosa e os últimos três ou quatro assaltos, com um inclusive me abrindo uma enorme ferida na cabeça, não favorecia muito o cenário de otimismo. No entanto, outros medos foi a vida que proporcionou e eu sempre louco por desculpas que me justificasse, as agarrei como pude.
Enquanto Leonard Cohen seguia cantando no mp3 player e a cidade mostrava suas ruas que abarcavam sentimentos dispares como satisfação e melancolia, alegria e tristeza, o celular pula as canções e acusa a mensagem que leio em seguida: “Estou ouvindo o disco do Wilco que você gosta e lembrei de ti. Me liga. Já faz muito tempo. Bjos. Susana”. A surpresa se transformou em desconfiança. Seria uma segunda chance? Foi quando “Hey, That's No Way To Say Goodbye” invadiu os fones e decidi responder a mensagem, enquanto pensava que esse Cohen sabe mesmo das coisas.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Olhos

“Ah....são os olhos...” Sem dúvida, não hesito em nenhum momento em dizer que são os olhos. Eles são os responsáveis por deixar minha alma desnuda e discernir entre o mero belo e o belo que dura. São eles que me surpreendem a cada momento, por mais que ame bundas e tudo mais, mas são os olhos que mexem de verdade; é neles que consigo tentar acreditar no que pode acontecer, ao que me vou me submeter.
Foi assim com Maura. Na verdade e falando bem sério nunca pensei em me apaixonar por alguém de nome Maura, um nome tão sério, tão distante de mim. Quando pensava em alguém quando era jovem, logo me via na cabeça nomes descolados, mas nada como Maura. E então o que acontece? Um belo dia desço a Conselheiro Furtado para para ver um livro, quando uma moça não tão bela, não tão feia, me faz a ridícula pergunta; “Que horas são”?”.
“Horas, que horas?” E não parei de olhá-la; olhos fortes, castanhos, pesados, que pareciam carregar toda a responsabilidade do mundo em suas costas, quando ela me disse depois de três segundos ou quatro minutos: “Aconteceu alguma coisa?” E eu no meu absurdo inconsciente nerd, respondi besteiras gaguejando entre comparações com Nico e Marisa Monte, quando me dei conta de um sorriso esplendoroso do outro lado. “Ah, são os olhos...mas depois um sorriso...”
E como tudo que acontece uma vez na vida, a fábula passava na frente, o conto de fadas que você nunca acreditou que existia lhe rouba a própria existência. As dívidas, problemas, a crise do time no campeonato, o disco ruim da sua banda, a promoção que nunca vem, parecem que não existem mais, o mundo mudou e você acabou de inventar uma nova realidade, que passa, começa e continua através do puro soluçar de dois olhos em um dia comum.
Penso até com uma certa loucura da minha hoje parca mente, que triste são aqueles que se contentam com as bundas, peitos e reboladas. Eles não sabem ao certo como sua alegria é fugaz, efêmera. Não sabem que com o tempo, essas bundas e peitos caem e o rebolado passa a ser sem graça, mas os olhos, ah...os olhos, esses são eternos. E enquanto estou aqui com lágrimas escorrendo, procuro dentro desse caixão sem graça os olhos da minha Maura e não consigo mais enxergar seu brilho, e percebo que minha alma se foi no exato momento que eles não abrirão mais.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Hey, That's No Way To Say Goodbye - Leonard Cohen

I loved you in the morning
Our kisses deep and warm
Your head upon the pillow
Like a sleepy golden storm.
Yes, many loved before us
I know that we are not new,
In city and in forest
They smiled like me and you,
But now it's come to distances
And both of us must try,
Your eyes are soft with sorrow,
Hey, that's no way to say goodbye.

I'm not looking for another
As I wander in my time,
Walk me to the corner
Our steps will always rhyme,
You know my love goes with you
As your love stays with me,
It's just the way it changes
Like the shoreline and the sea,
But let's not talk of love or chains
And things we can't untie,
Your eyes are soft with sorrow,
Hey, that's no way to say goodbye.

I loved you in the morning
Our kisses deep and warm,
Your head upon the pillow
Like a sleepy golden storm.
Yes, many loved before us
I know that we are not new,
In city and in forest
They smiled like me and you
But let's not talk of love or chains
And things we can't untie,
Your eyes are soft with sorrow
Hey, that's no way to say goodbye.
P.S: Uma das canções mais lindas do grande Leonard Cohen, que esse ano lançou um belíssimo disco ao vivo. Uma canção imortal.

sábado, 18 de abril de 2009

Jogos Sem Vencedor

E tudo poderia ser tão mais fácil
Se os jogos, os ódios, o ópio fossem cancelados
Sem as mil facetas, e algumas agradaveis surpresas

Tudo poderia realmente acontecer
Fantasmas do passado jogados ao lado
Crença em um futuro que não sabemos ao certo

E por tudo seria bom novamente passar
Os momentos em que os dias teriam luz
As vezes que pequenas coisas salvariam a vida

Mas, para você infelizmente não pode ser assim
Tudo se resume a um eterna partida sem vencedor
E assim o futuro passa a estar cada vez mais distante


Triste assim.

domingo, 22 de março de 2009

"O Amor Acaba" - Paulo Mendes Campos

O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.
P.S: Enquanto a inspiração e o tempo andam em falta, segue uma crônica bem bacana do Paulo Mendes Campos.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

"Tiny Dancer" - Elton John

Garota de jeans azul, dama de Los Angeles
Costureira para a banda
Olhos bonitos, sorriso de pirata
Você se casou com o músico
Bailarina, você devia ter visto ela dançando areia
E agora ela está em mim, sempre comigo
Pequena dançarina na minha mão
Jesus estranha na rua

Segurando ingressos vendidos por Deus
Voltando pra trás, ela só ri
A rua não é tão ruim assim
O pianista fez sua apresentação

No auditório
Olhando pra ele ela canta as músicas
As palavras que ela sabeAs melodias ela cantarola
Mas oh, como isso parece tão real

Deitada aqui comigo sem ninguém por perto
Só você e você pode me ouvir
Quando eu digo calmo, devagar
Me abrace forte, pequena dançarina

Conte as luzes da estrada
Me deite nas folhas brancas
Você teve um dia ocupado hoje
Garota de jeans azul, dama de Los Angeles

Costureira para a banda
Olhos bonitos, sorriso de pirata
Você se casou com o músico
Bailarina, você devia ter visto ela dançando areia
E agora ela está em mim, sempre comigo
Pequena dançarina na minha mão
Mas oh, como isso parece tão real

Deitada aqui comigo sem ninguém por perto
Só você e você pode me ouvir
Quando eu digo calmo, devagar
P.S: "...para uma amiga querida..."

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

"(What's So Funny 'Bout) Peace, Love And Understanding?"

Enquanto eu caminho através deste mundo perverso,
Procurando por luz na escuridão da insanidade,
Eu pergunto a mim mesmo
Toda a esperança está perdida?
Existe somente dor e ódio, e miséria?

E a cada momento que eu me sinto assim por dentro,
Há uma coisa que quero saber:
Qual a graça em paz, amor e compreensão?
Qual a graça em paz, amor e compreensão?

E enquanto eu caminhava através desses tempos difíceis
Meu espírito ficava desanimado às vezes
Então, onde está a força?
E quem é a confiança?
E onde está a harmonia?
Doce harmonia.

Porque a cada momento que eu sinto isso indo embora,
Me dá vontade de chorar.
Qual a graça em paz, amor e compreensão?
Qual a graça em paz, amor e compreensão?

Então, onde está a força?
E quem é a confiança?
E onde está a harmonia?
Doce harmonia.

Porque a cada momento que eu sinto isso indo embora,
Me dá vontade de chorar.
Qual a graça em paz, amor e compreensão?
Qual a graça em paz, amor e compreensão?

Obs: "(What's So Funny 'Bout) Peace, Love And Understanding?", canção de Nick Lowe, imortalizada por Elvis Costello. Retrato fiel dos últimos dias e de muitos outros que virão, infelizmente.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Povoando Desertos

E afastou-se
Sem mais nem porquê, sem perguntas ou respostas
Simplesmente afastou-se
Se escondeu
Sem dar chance para o acaso, flertando com o fracasso

E viveu
Como poucos poderiam imaginar, como uma ilusão
Inconscientemente viveu
Se martirizando
Mas seguindo em frente, adequando-se a corrente

E escreveu
Livros que ninguém quis, livros sem pretensões
Solenemente escreveu
Se enfrentando
Derrotando monstros febris, matando criaturas vis

E um belo dia morreu
Sem que o mundo soubesse, sem ninguém sentir
Aparentemente morreu
Se eternizando
Entrando nos corações abertos, povoando desertos

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

"Preceitos básicos e avisos adicionais a jovens escroques" - Jim Dodge

Não tente roubar uma vaca maior que sua caçamba.
Não mostre seu rabo pra Polícia Rodoviária.
Negociatas longas com grana curta é prejuízo na certa.
Não confunda o Evangelho com a Igreja.
Nunca dedure familiares ou amigos.
Evite morar em qualquer lugar onde não dê pra mijar da porta da frente.
Só porque é simples não significa que é fácil.
Não deixe seu olho grande preencher cheques que sua barriga vazia não possa bancar.
Se você não a quer, não a provoque.
Não estacione entre dois cachorrões jogando sujo.
Qualquer um amassa tomates; o foda é fazer o molho.
Nunca se é pobre demais para deixar de prestar atenção.
Não remoa por aí suas paranóias.
Nunca durma com uma mulher que considere isso um favor.
Se for atingido por um valentão, dê-lhe a outra face. Se rolar de novo, atire no filho da puta.
Manter é sempre duas vezes mais difícil do que conseguir.
Nunca atravesse uma cidade pequena a 120 por hora com a filhota do xerife nua na garupa.
Nunca registre o preto no branco.
Se você não está confuso então não tá entendendo nada.
Amar é sempre mais difícil do que parece.
P.S:
O escritor americano Jim Dodge é muito, mas muito foda. :)