Dia 19 de julho de 1992. Lembro bem desse dia. Estava então no auge dos meus 13 anos, cursando a 8ª Série, um ano muito bom em vários aspectos. Estava sentado no sofá da sala com minha camisa de goleiro do flamengo meio alaranjada que acho que não era oficial. O short do Flamengo completava o modelito. Na cadeira ao lado meu pai comentava sobre o jogo, logo ele tão torcedor do time, via seu pequeno filho ali herdando toda a paixão. O título de 1992 me lembro quase que todo, pois em 1987 só os detalhes mais importantes estão na memória.O jogo foi passando tranquilo e afinal o Mengão já estava com o título na mão, culpa da esmagadora vitória de 3 a 0 sobre o Botafogo, uma semana antes. No final corre-se para a rua para chutar a bola com os amigos e gritar o nome dos heróis daquele título (Gilmar, Júnior, Zinho, Nélio, Gaúcho). De 1992 até 2009 muita coisa mudou na vida do maior time do Brasil, pois deixamos de ser esse time. Não pela torcida, essa sempre incomparável, inigualável, mas por culpa de direções atrapalhadas que mancharam o manto sagrado sem pena nesses anos.
Durante esses 17 anos, vivemos de espasmos de alegria. Uma Copa dos Campeões aqui, uma Copa do Brasil acolá e dois tri campeonatos cariocas, sendo um de maneira épica. Espasmos com Sávio, Petkovic, Romário. Muito pouco para quem em outrora era bem mais assustador. Pior ainda, passamos por vários vexames, apanhando de times pequenos e quase sendo rebaixados para a segunda divisão, uma desonra que não nos cabe, sendo salvos somente pela força da nossa camisa. O interessante é que por mais sofrimento que houvesse, a torcida crescia e ficava mais apaixonada.
Nos últimos três anos no entanto, esse gigante em preto e vermelho vem acordando. Vem renascendo. Mesmo contra as trapalhadas dos que ainda comandam nossa história, o gigante vem renascendo como uma fênix, fazendo milhares de pessoas engolirem a seco esse processo. Desde 2007 quando fomos 3º lugar do Brasileiro com uma campanha para ficar na história, as coisas vem mudando. O respeito que havia ido embora, voltou. A camisa está pesando mais. O orgulho que nunca havia ido embora, prova agora o quanto sempre esteve certo.
Neste último domingo, 06 de dezembro de 2009, esse processo de renascimento foi concluído com mais um titulo brasileiro. Mais uma vez, de modo inesquecível. Um título sem contestação, com uma campanha forte contra todos os concorrentes ao campeonato. Não vi os últmos 30 minutos do jogo de domingo. O coração não é mais o mesmo daquele menino de 1992. Fiquei a vários metros da TV. Vi o jogo ao lado de amigos queridos, sem mais meu pai para comentar do meu lado, mas sem dúvida fazendo isso onde está lá em cima, não tenho dúvida alguma.
Com um gol de um cara simples e honesto, como a grande maioria da nossa torcida, o Mengão ganhou mais um título e voltou para o patamar de onde nunca deveria ter saído. A festa tomou conta de centenas de cidades ao redor do país, pois não canso dizer, falar que o Flamengo é carioca é burrice. O Flamengo é nacional. Hoje, na segunda feira enquanto me recupero emocionalmente e vejo as imagens da torcida no Maracanã, lembro da frase que aprendi ainda criança e servia para quando o Flamengo ia para uma decisão: “Deixou chegar, fudeu!” e refaço por minha conta para “Deixou renascer, fudeu!”. Fudeu mesmo.
Que a partir de hoje, novamente todos os outros times do país botem suas barbas de molho, rezem, comecem a ter medo. O gigante em preto e vermelho está de novo no topo. E como todos bem sabem, com a gente o negócio é diferente. Ser Flamengo é diferente. Quem não é, nunca vai passar nem perto de entender. Nem tentem. Salve Andrade. Salve Bruno, Léo Moura, Ronaldo Angelim e Juan. Salve Williams. Salve Petkovic e Adriano. Salve eu. Salve você. Salve todo aquele que carrega a alegria imensa e a dádiva de ser rubro negro dentro do coração.













